CFM e Academia Nacional de Medicina querem o resgate da formação humanitária

O Conselho Federal de Medicina (CFM) e a Academia Nacional de Medicina (ANM) querem trabalhar com os coordenadores de escolas médicas para resgatar a formação humanitária e a responsabilidade social. O assunto foi debatido durante o I Congresso Brasileiro de Humanidades em Medicina, promovido nesta sexta-feira (10), no Rio de Janeiro (RJ).
Segundo o presidente do Conselho, Roberto Luiz d’Avila, a entidade está preocupada com a formação intelectual e cultural dos estudantes. “A Medicina não pode ficar refém da tecnologia e de ações apenas terapêuticas sem que haja uma visão mais humana. Respeitar os valores culturais, as vontades e os desejos do paciente: isso e a verdadeira Medicina”, apontou d’Avila.
O presidente da ANM, Pietro Novellino, destacou que a Medicina só pode ser exercida por quem tem a visão social e por aquele que procura cultivar as humanidades: “o médico necessita de conhecimento para que possa exercer a profissão com mais amor”.
Segundo o presidente da Academia Brasileira de Filosofia, João Ricardo Moderno, a lição principal que o médico traz é a defesa da vida e por isso deve se sensibilizar. “A ética da vida é um ponto de consenso institucional entre a medicina e a filosofia. O ponto de apoio para qualquer tipo de ação intelectual e técnica. O médico deve ser sensibilizado com a necessidade dos pacientes”.
Qualidade do ensino – A falta do cuidado humanitário foi analisada pelo grupo como fenômeno dos séculos XX e XXI. Com o aumento do conhecimento, os profissionais precisaram se especializar cada vez mais e a formação social passou a ser tratada como elemento secundário.
De acordo com Lopes, a medicina tem se preocupado mais com treinamento de habilidades do que na formação da pessoa. “O novo profissional aplica a tecnologia no corpo humano e não na pessoa”.
O problema da formação acadêmica também foi apontado pelo professor José Siqueira que acredita que o sistema educacional deva ser revisto. “Ensinamos do começo ao fim o fato e não os valores. É preciso rever o que realmente é importante”, concluiu Siqueira.
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