Panorama da Saúde Digital 2026

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Pesquisa TIC Saúde aponta avanço da inteligência artificial e da saúde digital no Brasil, mas destaca desafios em interoperabilidade e governança de dados.

A transformação digital segue avançando no setor da saúde brasileiro. Inteligência artificial (IA), prontuários eletrônicos e outras tecnologias vêm sendo incorporados as rotinas de saúde, contribuindo para maior eficiência operacional e ampliando as possibilidades de cuidado ao paciente. Ao mesmo tempo, desafios relacionados à interoperabilidade, segurança da informação e governança de dados ainda limitam o pleno potencial dessas soluções.

Essas são algumas das conclusões da 12ª edição da pesquisa TIC Saúde, divulgada pelo Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br), que analisou a adoção de tecnologias digitais em estabelecimentos de saúde de todo o país.

Inteligência artificial ganha espaço

Em 2025, 18% das instituições de saúde no Brasil já utilizavam inteligência artificial em suas atividades. Entre hospitais com mais de 50 leitos, esse percentual chegou a 31%, enquanto nos Serviços de Apoio Diagnóstico e Terapêutico (SADT) atingiu 29%.

A principal aplicação da IA está na organização de processos clínicos e administrativos, seguida pelo fortalecimento da segurança digital e pelo apoio à eficiência dos tratamentos. Entre as tecnologias mais utilizadas, destacam-se os modelos de IA generativa, além de ferramentas de mineração de texto e automação de processos.

Apesar do crescimento, a adoção da inteligência artificial ainda enfrenta desafios importantes, como os custos de implantação, a necessidade de qualificação das equipes, a disponibilidade de dados estruturados e a definição de estratégias institucionais para sua implementação.

Infraestrutura digital consolida a transformação

A pesquisa mostra que o acesso a computadores e à internet já é praticamente universal nas instituições de saúde no Brasil, criando uma base sólida para a expansão da saúde digital.

Essa infraestrutura permite maior utilização de sistemas eletrônicos, facilita a comunicação entre profissionais e amplia a oferta de serviços digitais aos pacientes, contribuindo para uma gestão mais eficiente e integrada.

Interoperabilidade ainda precisa avançar

Embora a maioria das instituições utilize sistemas eletrônicos para registrar informações dos pacientes, a troca de dados entre diferentes estabelecimentos ainda é limitada.

Menos da metade das unidades consegue compartilhar encaminhamentos eletrônicos, relatórios assistenciais ou resultados de exames de forma integrada. A pesquisa também aponta que a conexão à Rede Nacional de Dados em Saúde (RNDS) está em expansão, mas ainda há espaço para ampliar a interoperabilidade entre os diversos sistemas utilizados no país.

A integração das informações é considerada um fator importante para melhorar a continuidade do cuidado, reduzir retrabalho e tornar os processos assistenciais mais eficientes.

Serviços digitais continuam crescendo

A oferta de serviços digitais aos pacientes também apresentou evolução. Entre os recursos mais disponibilizados estão a consulta online de resultados de exames, o agendamento eletrônico de consultas e exames e os canais de comunicação com as equipes de saúde.

Na área da telessaúde, modalidades como teleconsultoria, teleconsulta, telediagnóstico e telemonitoramento registraram crescimento, refletindo a consolidação do atendimento remoto e da colaboração entre profissionais.

Segurança da informação permanece como prioridade

O avanço da digitalização também aumenta a importância da proteção das informações em saúde.

A pesquisa revela que menos da metade dos estabelecimentos possui políticas formais de segurança da informação ou realiza treinamentos periódicos sobre o tema. Da mesma forma, a adequação à Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) ainda apresenta desafios, especialmente na implementação de mecanismos de governança e de resposta a incidentes.

À medida que a saúde se torna cada vez mais conectada, investir em segurança da informação e na proteção de dados passa a ser indispensável para garantir a confiabilidade dos sistemas e preservar a privacidade dos pacientes.

Um cenário em evolução

Os resultados da TIC Saúde 2025 mostram que a transformação digital avança de forma consistente no Brasil. O crescimento do uso da inteligência artificial, da telessaúde e dos serviços digitais evidencia um setor em constante evolução. Ao mesmo tempo, o fortalecimento da interoperabilidade, da governança de dados e da segurança da informação será determinante para que essas tecnologias contribuam de forma cada vez mais efetiva para a qualidade da assistência e para a eficiência da gestão em saúde.

Fonte: www.cetic.br