“É quem paga a conta que deve encabeçar programas de promoção”

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Não há controvérsias: a responsabilidade de promover a melhoria da saúde é de todos os stakeholders, do paciente à operadora, passando por cada médico e unidade de saúde. Mas, na prática, há pouca movimentação espontânea para bancar grandes iniciativas, como programas de gestão de saúde populacional (GSP).

É importante considerar, primeiramente, que tais programas não precisam ter sempre um escopo global ou mesmo nacional. “Qualquer hospital ou região tem recursos limitados. A ciência da GSP é administrar esses recursos para otimizar o cuidado em determinado local”, pontua Jeremy Schubert, vice-presidente da divisão América Latina e Canadá da Abbott Diagnostics.

Nessa linha, todos os stakeholders podem atuar para criar iniciativas com abrangências diferentes. “Programas vindos de operadoras, como de controle pró-ativo da diabetes, deveriam ser incentivados. E hospitais deveriam se sentir empoderados para trabalhar programas em sua região também”, defende Israel Armstrong, diretor geral da Cerner no Brasil.

Há também uma questão de mercado: “A saúde não envolve só o sistema de saúde”, aponta Kaveh Safavi, diretor geral da Accenture. Pesquisa indica que os norte-americanos sabem que são os agentes mais responsáveis por seu próprio bem-estar – mais do que hospitais ou operadoras. “As pessoas só vão ao médico quando estão doentes. Para realmente falar sobre a saúde da sociedade, é preciso envolver outros setores, como a indústria de alimentos”, completa.

Apesar da responsabilidade compartilhada, é “quem paga a conta” que deve encabeçar programas, na opinião de Nicolas Toth, diretor geral para América Latina da Healthways International. “Tem que partir dos empregadores, dos planos de saúde e do governo. É preciso haver algo para compelir as pessoas a cuidar da própria saúde, seja com incentivos, seja com penalidades. Um exemplo é o cinto de segurança, que hoje todos usam”, argumenta.

Como mudar
É particularmente difícil fazer investimentos em saúde porque há uma exigência cada vez maior por retornos rápidos e o modelo atual é custoso. “Enquanto estamos trabalhando nessa grande disrupção, também precisamos fazer ‘minirrevoluções’. Temos que achar maneiras de otimizar o sistema”, defende Schubert. E isso passa por buscar eficiência em todos os processos, sempre colocando em foco a melhoria de vida do paciente.

“Todos no setor sabemos nossa situação e queremos que ela mude”, lembra Nina Lualdi, diretora sênior de inovação da Cisco na América Latina. Falta, contudo, empoderar o paciente com esse poder de disrupção, diz ela: “Acho possível, já vimos em outras indústrias, mas estamos atrasados”.

É preciso, portanto, se comunicar com o cliente de uma nova maneira. “Precisamos transformar a saúde em algo cool”, sugere Toth, lembrando apps e gadgets como um exemplo positivo.

No Brasil, a mudança só vai começar efetivamente quando dados confiáveis e estruturados estiverem disponíveis, argumenta Armstrong: “Não dá para discutir como melhorar a situação dos pacientes se não se sabe qual é o cenário atual. As empresas precisam publicar os dados do resultado de suas ações”. O mercado pode, assim, pensar coletivamente em novos modelos e, no futuro, até mudar o sistema de pagamento.

Diretor de soluções da GE Healthcare na América Latina, Felipe Rizzo, acrescenta a necessidade de uma mudança cultural. “Não temos incentivo para inovação na saúde e ainda estamos procurando o modelo certo. Acredito que a disrupção para o Brasil virá de fora, com as startups”, conclui.

*Carlos Oliveira, redator da Integrare – Marketing de Conteúdo 360º, especial para o Saúde Business
Fonte: Saúde Web, 29/09/2015.
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