Brasileiro cria dispositivo que corrige falhas na córnea

Publicado por: Correio Braziliense, 03/02/2015 em 06/03/2015

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Colocado atrás da íris, o dispositivo pode ser usado para melhorar a cirurgia de catarata e em pacientes com outros problemas oftalmológicos, como ceratocone e vista cansada. A solução ganhou reconhecimento internacional.

Um minúsculo filtro colocado atrás da íris permitirá a pacientes com imperfeições na córnea enxergar melhor. Com 13 milímetros e feito em acrílico dobrável, o dispositivo foi desenvolvido pelo oftalmologista mineiro Cláudio Cançado Trindade como parte do doutorado na Universidade de São Paulo (USP). A pesquisa foi iniciada em 2012 e, no ano passado, quando os primeiros resultados começaram a ser publicados em revistas científicas e apresentados em congressos de oftalmologia, atraiu a atenção da comunidade médica. O novo tratamento poderá, em alguns pacientes, evitar o transplante de córnea.

“O que seduz é a simplicidade do conceito. Ele custa pouco e é prático”, afirma Cláudio Trindade. Devido à inovação, o pesquisador brasileiro foi premiado por entidades internacionais na área de catarata e cirurgia refrativa. O implante será fabricado na Alemanha pela Morcher Implants, uma das mais importantes empresas de lentes intraoculares. Segundo o pesquisador, a previsão é de que esteja disponível, inclusive, na rede pública de saúde, ainda neste ano no Brasil.

Até hoje, foram realizadas 19 cirurgias para a implantação do filtro, sendo 18 com pacientes do Hospital Escola São José, da Faculdade de Ciências Médicas da USP. O procedimento experimental foi aprovado pelo conselho de ética e os participantes relataram que o implante melhorou consideravelmente a visão deles.

A prescrição é para o uso do filtro em pacientes que não alcancem visão satisfatória somente com a cirurgia tradicional de catarata. É comum que, mesmo depois do procedimento, devido à presença de defeitos corneanos, a visão continue dificultada. O tratamento também poderá melhorar a visão de pacientes submetidos à antiga cirurgia da miopia, feita com bisturi, na década de 1980. Ainda é indicado a pessoas que receberam transplante de córnea, com ceratocone (doença não inflamatória que afeta o formato e a espessura da córnea) e cicatrizes na córnea provocadas por traumatismos.
 

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