Como o Johns Hopkins entrega cuidados coordenados?

Publicado por: Saúde Web em 04/11/2014

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Parceria para saúde comunitária coordenada pelo famoso hospital americano usa CRM da Salesforce em modelo que envolve uma comunidade inteira.

São dois os principais desafios que os líderes de TI de saúde enfrentam quando querem implementar cuidados coordenados. O primeiro é a educação dos médicos, clínicos e outros envolvidos sobre as tecnologias, como CRM, que são comuns em muitos setores, mas ainda relativamente novas na área de saúde. O segundo desafio é oferecer o retorno sobre o investimento de grandes esforços de cuidados coordenados, como o da Johns Hopkins Community Health Partnership.

Maryann Corkran, VP de sistemas de informação da Johns Hopkins Medicine, compartilhou esses desafios em sua apresentação de estudos de casos durante a última conferência Dreamforce 2014, da Salesforce, que aconteceu em outubro em São Francisco.

Vamos compartilhar as experiências de Corkran com esses desafios mais adiante. Antes, vamos ver do que se trata a Johns Hopkins Community Health Partnership. De acordo com Corkran, o programa foi iniciado por funcionários do Hospital Johns Hopkins, em East Baltimore, que se comoveram com o drama dos residentes de um dos bairros mais pobres da cidade.

As estatísticas são aterrorizantes. Os residentes dos bairros mais carentes de Baltimore têm expectativa de vida 20 anos mais curta, em média, do que os residentes de outros bairros da cidade. "São poucos quilômetros de distância entre esses bairros, e todos eles rodeiam o Johns Hopkins Medicine”, disse Corkran.

Os desafios que esses residentes enfrentam são muito mais complexos do que simplesmente necessidades básicas e imediatas de saúde. Na realidade, de acordo com Corkran, fazer com que as pessoas iniciem tratamentos é apenas 20% da equação para mantê-los saudáveis; os outros 80% vêm de fatores psicossociais. Corkran divide esses 80% da seguinte forma:
- 40% é socioeconômico. Isso inclui fatores como emprego, educação, renda, rede de suporte e segurança da comunidade;
- 30% é comportamental. Eles fumam? Eles têm acesso a uma alimentação saudável? Como é a dieta deles, eles se exercitam? Ingerem muito álcool? Praticam sexo desprotegido?
- 10% é o ambiente físico em que eles vivem. O acesso a alimentos saudáveis é problemático. Os parques não são seguros, o que dificulta opções de prática de exercícios físicos. Problemas ambientais, como poluição, podem exacerbar certas condições de saúde.

Corkran e sua equipe perceberam rapidamente que uma solução eficiente exigiria não só uma equipe altamente integrada de professionais médicos, mas também organizações e indivíduos fora do hospital.

Com uma concessão de três anos do Centro de Medicare e Medicaid dos EUA, a Johns Hopkins deu início à parceria de saúde comunitária, que inclui equipes de saúde formadas por enfermeiros educadores, enfermeiros guias de transição, médicos, gestores de casos, especialistas de farmácia clínica, especialistas em saúde comportamental, funcionários comunitários de saúde, entre outros. Desde que começou, em 2012, aproximadamente 45 mil pessoas foram atendidas e mais de dois mil pacientes têm um funcionário de saúde ajudando com cuidados coordenados.

As organizações comunitárias que participam do programa incluem a Baltimore Alliance for Careers in Healthcare, Baltimore Medical System, the Men and Families Center, Priority Partners, e a Sisters Together and Reaching. Além disso, cinco enfermarias da região participam do programa.

“Como parte do esforço, estamos andando pelo bairro, conhecendo onde e como vivem os pacientes”, disse Corkran. “Seria importante que pudéssemos levar conosco formulários de avaliação. Também seria importante que pudéssemos enviar rapidamente dados para o registro do paciente, para que nossa equipe de cuidadores possa tomar decisões. Queríamos trabalhar com o paciente para fazermos, juntos, planos para tratamentos, engajando o paciente e sua família. Para isso, também precisamos ser capazes de mapear e agendar equipes de tratamento por todo o bairro, para que os supervisores saibam onde estão os médicos em qualquer momento”.

O sistema usa o CRM Salesforce, segundo Corkran, e as avaliações de campo são feitas em tablet, na casa do paciente. “Ainda estamos trabalhando na tecnologia de mapeamento, para que possamos escalar a agenda dos médicos”, disse Corkran.

Agora, de volta aos desafios. Primeiro, a tecnologia: Corkran contou que na primeira vez que ela sugeriu a plataforma Salesforce, nenhuma das organizações envolvidas sabia do que se tratava. Mais além, nenhum deles ouvira falar em CRM. Foi necessário um pouco de educação para ajuda-los a entender o que a tecnologia podia fazer.

Havia muita preocupação em relação a possíveis riscos na exposição de informações pessoais de saúde em uma plataforma SaaS baseada em nuvem, segundo Corkran. Ela observou que o diretor de segurança da organização conhecia a tecnologia, o que ajudou a aliviar as preocupações. “Quando eu apresentei para o nosso CSO, ele respondeu: Ah, sim. Salesfoce. Sem problemas.”

Quando se trata de calcular ROI sobre cuidados coordenados, vale a pena olhar para as estatísticas nacionais compartilhadas por Corkran:
- 1% da população dos EUA é responsável por 22% dos gastos de serviços de saúde;
- nos programas Medicaid, 5% dos pacientes contam 54% dos gastos;
- Os pacientes dentro desse 1% geralmente têm uma ou mais condição crônica, como HIV, diabetes e falha congestiva do coração.

“Não é uma ciência muito complexa para entender onde é preciso focar a atenção se é necessário reduzir gastos da saúde”, disse Corkran. Ainda assim, ela acrescentou, quantificar ROI neste tipo de programa é extremamente desafiador. “É muito difícil quantificar tratamentos que não aconteceram. Se o programa for muito bem sucedido, essas pessoas não aparecem no PS, elas monitoram a própria pressão sanguínea, elas param de fumar. É uma coisa boa, mas torna muito mais difícil calcular ROI”.

Com base em relatos, ela disse que engajando paciente com equipe de cuidados, é possível:
- Aumentar a satisfação do paciente
- Aprimorar a gestão de doenças
- Aprimorar a gestão da dor
- Aumentar a qualidade de vida
- Reduzir casos de depressão
- Otimizar custos e reduzir utilização
- Reduzir internações
- Reduzir visitas ao PS
- Reduzir a permanência em hospitais.

Quais são os próximos passos para Corkran e para os coordenadores de cuidados da organização? Em 2013, eles participaram de uma sessão de dois dias como parte do programa Ignite, da Salesforce. “Nós criamos uma visão: Como poderiam ser os coordenadores de cuidados no futuro, com um sistema completo de registros – seu [registro eletrônico de saúde] sistema – e um sistema móvel de engajamento?” A equipe também pensou sobre como redes sociais poderiam ser usadas para mobilizar voluntários da comunidade a se envolverem nos cuidados de seus vizinhos.

“Nossa jornada continua”, disse Corkran. “Não estamos 100% certos de onde irá terminar. Nossa esperança é que possamos equalizar a diferença da expectativa de vida entre dois bairros vizinhos”.

Susan Nunziata , parágrafo InformationWeek Healthcare EUA  

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