AMB divulga orientações da WMA sobre relação entre médicos e indústria

Publicado por: AMB - Associação Médica Brasileira em 18/08/2010

{T:CONT_TITULO}

Adotada na Assembléia Geral de Tóquio, Japão, em outubro de 2004 e emendada na Assembléia Geral de Nova Deli, Índia, em outubro de 2009, as referências da Associação Médica Mundial (WMA) sobre o assunto tiveram a participação e conta com total apoio da Associação Médica Brasileira.


PREÂMBULO


No tratamento de seus pacientes, os médicos utilizam drogas, instrumentos, ferramentas de diagnóstico, equipamentos e materiais desenvolvidos e produzidos por empresas comerciais. A indústria possui recursos para financiar programas de pesquisa e desenvolvimento de alto custo e, para tanto, o conhecimento e a experiência dos médicos é essencial. Além disso, o apoio da indústria permite o aprofundamento de pesquisas médicas, a participação em conferências científicas e a continuidade da formação em Medicina que podem ser benéficos para pacientes e para todo o sistema de saúde. A combinação de recursos financeiros com o conhecimento dos produtos alcançada com a ajuda da indústria e pelo conhecimento dos médicos permitiu o desenvolvimento de novos procedimentos de diagnóstico, drogas, terapias e tratamentos e pode levar a diversos avanços na Medicina.


No entanto, há conflitos de interesse entre empresas comerciais e médicos e eles podem afetar o tratamento dos pacientes e a reputação da profissão médica. O papel dos médicos é avaliar de forma objetiva o que é melhor para o paciente, enquanto o que se espera das empresas comerciais é que elas dêem lucro aos seus proprietários por meio da venda de seus produtos e da competição por mais clientes.
As considerações comerciais podem afetar a objetividade dos médicos, principalmente se o profissional for de alguma maneira dependente da empresa. Ao invés de proibir as relações entre médicos e a indústria, é preferível estabelecer diretrizes para tais relações. Estas diretrizes devem incorporar princípios fundamentais de transparência, evitando conflitos óbvios de interesse, e da autonomia clínica do médico para agir de acordo com os anseios de seus pacientes.


Estas diretrizes devem servir de base para a revisão das diretrizes já existentes e para o desenvolvimento de quaisquer diretrizes futuras.

CONFERÊNCIAS MÉDICAS


Os médicos podem participar de conferências médicas patrocinados total ou parcialmente por uma entidade comercial se estiverem de acordo com os seguintes princípios:


1) O principal objetivo da conferência é a troca de informações profissionais e científicas

2) A hospitalidade durante a conferência é secundário à troca profissional de informações e não deve exceder os costumes locais e geralmente aceitos;

3) Os médicos não devem receber pagamento direto de uma entidade comercial para cobrir despesas de viagem, hospedagem e alimentação na conferência ou compensação por seu tempo, a menos que isso seja exigido pelas regras e/ou políticas de sua Associação Médica Nacional;


4) Médicos não devem aceitar hospitalidade não justificada e não devem receber pagamentos de nenhuma entidade comercial para cobrir hospedagem e alimentação de acompanhantes;


5) O nome da entidade comercial fornecedora do apoio financeiro deve ser divulgado publicamente para permitir que a comunidade médica e o público avaliem a informação apresentada tendo em vista a fonte de financiamento. Além disso, os organizadores e palestrantes da conferência devem divulgar as afiliações financeiras que participantes da conferência possam ter com fabricantes dos produtos mencionados no evento ou com fabricantes de produtos concorrentes;


6) As apresentações de materiais por parte dos médicos devem ser cientificamente precisas, apresentando uma visão imparcial das opções de tratamento e não devem ser influenciadas pela organização patrocinadora;


7) A conferência pode ser reconhecida para propósito de formação médica continuada/desenvolvimento profissional continuado apenas se estiver de acordo com os seguintes princípios:


a) As entidades comerciais patrocinadoras, como empresas farmacêuticas, não exerçam influência sobre o conteúdo, apresentações, escolha dos palestrantes ou publicação dos resultados;
b) O financiamento da conferência seja aceito apenas como uma contribuição aos custos gerais do evento.

PRESENTES


Médicos não devem aceitar presentes de entidades comerciais a menos que permitido pelas regras e/ou políticas de sua Associação Médica Nacional e esteja de acordo com as seguintes condições:


a) Médicos não devem receber de uma entidade comercial pagamento em dinheiro ou equivalentes a dinheiro;
b) Médicos não devem receber presentes para seu benefício pessoal;
c) Presentes com o intuito de influenciar a prática clínica são sempre inaceitáveis. Ajudas promocionais podem ser aceitas desde que o presente tenha um valor mínimo e não esteja vinculado a qualquer estipulação de que o médico deva prescrever um determinado medicamento, utilizar certos instrumentos ou materiais ou encaminhar pacientes a um determinado estabelecimento;
d) Presentes de cortesia cultural podem ser recebidos desde que não sejam frequentes e estejam de acordo com as normas locais, e contanto que não sejam caros e não estejam relacionados à prática médica.

PESQUISA


Um médico pode realizar uma pequisa financiada por uma entidade comercial, seja individualmente ou de forma institucional, se estiver em conformidade com os seguintes princípios:


1) O médico deve seguir apenas as regras, os princípios éticos e as diretrizes da Declaração de Helsinki, e critérios clínicos ao realizar a pesquisa e não deve se deixar influenciar por pressões externas com relação ao resultado da pesquisa ou publicação;
2) Se possível, o médico ou instituição que queira realizar uma pesquisa deve solicitar financiamento a mais de uma empresa;
3) As informações que possam identificar pacientes ou voluntários participantes da pesquisa não devem ser divulgadas à empresa patrocinadora sem o consentimento dos indivíduos envolvidos;
4) A compensação de um médico pela pesquisa deve ser baseada no tempo e esforço dedicados e tal compensação não pode estar, de maneira alguma, relacionada aos resultados da pesquisa;
5) Os resultados da pesquisa devem ser publicados com o nome da entidade patrocinadora, juntamente com uma declaração revelando quem solicitou a pesquisa. Isso vale para patrocinadores diretos ou indiretos e totais ou parciais;
6) As entidades comerciais não podem impedir a publicação dos resultados. Se os resultados da pesquisa não forem publicados, principalmente se forem negativos, a pesquisa poderá ser repetida desnecessariamente, expondo assim futuros participantes a possíveis riscos.

AFILIAÇÕES A ENTIDADES COMERCIAIS


Um médico não pode se afiliar a uma entidade comercial como consultor ou membro de um conselho consultivo a menos que esta afiliação esteja de acordo com os seguintes princípios:


a) A afiliação não compromete a integridade do médico;
b) A afiliação não entra em conflito com as obrigações do médico para com seus pacientes;
c) Afiliações e/ou outras relações com entidades comerciais devem ser totalmente divulgadas em qualquer situação relevante como palestras, artigos e relatórios.

Conheça aqui o documento.

Tag(s): Notícias

Relacionadas

15º Webmeeting SBAO - Acreditação Internacional de Instituições Oftalmológicas

Quem pode participar de um programa internacional de acreditação? Quais os benefícios para uma clínica oftalmológica entrar no processo de acreditação?

+

Participe da programação científica SBAO

Estamos ansiosos pelo XI Congresso Internacional de Administração em Oftalmologia e e mais uma vez a sua participação como palestrante é fundamental para...

+

14º Web Meeting SBAO - Remuneração dos Serviços Médico-Hospitalares

Qual o valor justo para remuneração dos meus serviços? Porque o modelo atual está prestes a fracassar? Quais as alternativas? Tire estas e outras dúvidas...

+

13º Web Meeting SBAO - Planejamento Estratégico X Governança Corporativa

Como dar início ao Planejamento Estratégico em uma organização? Quais ferramentas para promover a estruturação dos arranjos necessários entre sócios e a...

+

11º Web Meeting SBAO - Gestão do Seu Tempo Como Fator de Performance

Por que as pessoas tem tanta dificuldade para administrar o tempo? Qual o impacto de uma boa gestão do tempo na vida profissional do médico (profissional da...

+

12º Web Meeting SBAO - Gestão Baseada em Evidência

Como a administração pode acompanhar as informações mais modernas de evidência científica para a tomada de suas decisões? Você está ligado em duas...

+

Web Meeting SBAO - Novas Tendências na Prática Oftalmológica

Você sabe como administrar o tempo de consulta? Como convencer em pouco tempo? Será que existe um tempo ideal? Nesse Web Meeting o Dr. Paulo Schor irá tirar...

+

Café com Especialistas

Quinta-feira, no estande da ALLERGAN - Participantes podem esclarecer dúvidas individualmente, recebendo orientações personalizadas

+

WEBMEETING SBAO - Consolidação do mercado de clínicas oftalmológicas

Aconteceu nesta segunda-feira (10/04) o nosso 9º Webmeeting. O Amaury Guerrero falou sobre a Consolidação do Mercado de Clínicas Oftalmológicas. Confira!

+

Web Meeting SBAO - Coloque o convênio para trabalhar para você com o reembolso médico

"Coloque o convênio para trabalhar para você com o reembolso médico". Este foi o tema do 8º Webmeeting SBAO que aconteceu no dia 13/03/2017

+

Web Meeting SBAO - O que um paciente cirúrgico busca em uma clinica oftalmológica

Você considera importante uma "cumplicidade" do medico com o pessoal de apoio ? Como o seu serviço investe nos métodos que surpreendam o seu cliente em...

+

Web Meeting SBAO - A evolução tecnológica na fiscalização da Receita Federal

Não deixe de assistir nosso 6º Web Meeting com o Edson Seabra Neto falando sobre a evolução tecnológica na fiscalização da Receita Federal.

+

Praia do Flamengo, 66B sala 401 - Flamengo - Rio de Janeiro - RJ
Cep: 22210-903 Tel: 21 2285-6052


Copyright © 2014 - SBAO - Sociedade Brasileira de Administração em Oftalmologia